De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a inflação apresentou desaceleração em março para todas as faixas de renda. O Ipea desagregou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) por classes sociais e constatou que as famílias de menor renda foram as mais beneficiadas.

Conforme o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, a inflação para as famílias de renda muito baixa atingiu 0,53% em março, enquanto as famílias de renda média-alta apresentaram a maior taxa, com 0,81%.

Inflação: comparativo

Comparando com março de 2022, houve uma desaceleração significativa em todas as classes sociais, porém a queda foi mais acentuada nas famílias de menor poder aquisitivo, especialmente devido à redução nos preços dos alimentos em domicílio. Com exceção dos segmentos de pescados e aves e ovos, os demais alimentos tiveram variações de preços menores em março de 2023 em relação a março de 2022.

No acumulado dos últimos 12 meses até março, as famílias de alta renda tiveram a maior inflação (6,44%), enquanto a menor inflação foi registrada nas famílias de renda média-baixa (4,38%). Entre as famílias de renda muito baixa, o indicador atingiu 4,60%.

Grupos

O grupo de transportes, impulsionado pelos aumentos de 8,3% na gasolina e de 3,2% no etanol, pressionou a inflação em todas as faixas de renda. No entanto, as famílias de maior renda sentiram um impacto menor devido às quedas de 5,3% nas passagens aéreas e de 1,6% no seguro veicular.

Além disso, outros dois grupos contribuíram para a inflação em março, embora em menor grau. No grupo de habitação, a alta de 2,3% nas tarifas de energia elétrica afetou principalmente as famílias de menor renda. No grupo de saúde e cuidados pessoais, as famílias com menor poder aquisitivo sentiram o aumento de 0,72% nos produtos de higiene pessoal, enquanto as famílias de renda mais alta foram influenciadas pelo aumento de 1,2% nos planos de saúde.

O segmento de renda mais elevada também foi impactado pelo grupo de despesas pessoais, principalmente pelos aumentos de 0,32% nos serviços pessoais e 0,55% nos serviços de recreação em março.

O índice oficial de inflação, IPCA, registrou uma queda para 0,71% em março, em comparação com a taxa de fevereiro (0,84%). Nos últimos 12 meses, o indicador acumula 4,65%, abaixo de 5% pela primeira vez em dois anos.

Inflação de março fecha em baixa no Brasil
Inflação de março fecha em baixa no Brasil

O que é inflação?

Inflação é um fenômeno econômico caracterizado pela elevação geral e contínua dos preços dos bens e serviços de uma economia. Ela é medida através de índices de preços, como o IPCA no Brasil, que acompanha a variação de preços de uma cesta de produtos consumidos pelas famílias.

A inflação é um dos principais indicadores macroeconômicos utilizados para avaliar a saúde financeira de um país, pois afeta diretamente a economia, o poder de compra da população e o nível de atividade econômica. Quando a inflação está alta, a moeda perde valor e o dinheiro fica menos valioso, gerando impactos negativos na economia, como a redução dos investimentos, aumento do desemprego e queda na renda real das famílias.

Existem diferentes tipos de inflação, que podem ser classificadas em inflação de demanda, inflação de custos, inflação inercial, inflação estrutural, dentre outras. A inflação de demanda é causada pelo excesso de demanda em relação à oferta de bens e serviços, ou seja, quando há muita procura pelos produtos, o que eleva os preços. A inflação de custos ocorre quando há aumento dos custos de produção, como matéria-prima, energia, salários, que são repassados para os preços finais.

Para controlar a inflação, os governos podem adotar diversas políticas econômicas, como o controle da oferta de dinheiro na economia, o aumento dos juros para desestimular o consumo, a redução dos gastos públicos, dentre outras. O Banco Central, no Brasil, é o responsável por conduzir a política monetária com o objetivo de manter a inflação dentro de uma meta estabelecida pelo governo, que atualmente é de 3,75% ao ano, com margem de tolerância de 1,5%.

Tudo que você precisa saber sobre inflação no Brasil

A inflação é um problema recorrente na história econômica do Brasil. Desde os anos 80, a economia brasileira tem enfrentado altas taxas de inflação que chegaram a ultrapassar os 80% ao mês em períodos como o Plano Cruzado, em 1986. Nos anos 90, com a implantação do Plano Real, a inflação foi controlada e reduzida, mas voltou a apresentar desafios a partir da crise econômica de 2014.

A partir de 2015, o país entrou em uma nova fase de alta inflação, motivada pela crise política e econômica que se instalou no governo Dilma Rousseff. Em 2016, a inflação atingiu 10,67%, a maior taxa em 13 anos, causando preocupação e impactando a economia brasileira. Desde então, o Banco Central tem trabalhado para controlar a inflação e retomar a estabilidade econômica.

Para controlar a inflação, o Banco Central tem adotado medidas como o aumento da taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 2,75% ao ano, com previsão de aumentar para 5,5% até o fim do ano. Além disso, o governo tem buscado melhorar a gestão fiscal e reduzir os gastos públicos, para evitar um aumento excessivo da demanda e a consequente pressão nos preços. A expectativa é que, com essas medidas, a inflação volte a ficar dentro da meta estabelecida e a economia brasileira retome seu crescimento.

Desaceleramento

Regiões brasileiras apresentaram avanços nos índices de inflação em março, de acordo com dados do IPCA divulgados pelo IBGE. Todas as áreas do país registraram aumento, com destaque para Porto Alegre, que apresentou a maior variação com 1,25%. A alta foi impulsionada pelo aumento da gasolina em 10,63% e da energia elétrica residencial em 9,79%. Em contrapartida, Fortaleza apresentou a menor variação no mês, com aumento de apenas 0,35%, influenciada pela queda de 17,94% no preço do tomate e de 2,91% no frango inteiro.

O IPCA é calculado pelo IBGE com base nas famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. O índice é utilizado como medida oficial da inflação no país, sendo um importante indicador para o mercado financeiro e a economia como um todo.

Apesar de as regiões apresentarem avanços em março, os índices de inflação acumulados em 12 meses mostram desaceleração. O IPCA acumulado em 12 meses até março de 2023 ficou em 4,65%, abaixo da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 3,75%, com margem de variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Essa queda no índice de inflação é resultado de diversos fatores, como a política monetária adotada pelo Banco Central, a queda no preço dos alimentos e a redução da atividade econômica em meio à pandemia da Covid-19.

Por último, leia mais: Poupança: Maior alta acima da inflação desde 2017

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